segunda-feira, 6 de maio de 2024

A ciência de ficar rico - Wallace D. Wattles

 Essa resenha tem a mesma finalidade do livro: ser um guia pragmático destinado a pessoas que querem enriquecer primeiro e filosofar depois. Muitos de nós não têm tempo, meios ou oportunidade para estudos mais profundos de metafísica, mas desejamos resultados e estamos dispostos a aceitar as conclusões da ciência como base para ação, sem precisar conhecer os processos por meio dos quais as conclusões foram alcançadas.

Então, senta que lá vem resenha: o resumo abaixo é uma cópia do último capítulo do livro, que resume a obra de Wallace Watlles de maneira a tornar o conteúdo fácil de assimilar e memorizar. Gravar essas informações no subconsciente é essencial para mudar paradigmas internos e com isso, manifestar uma realidade mais próspera em nosso exterior.

"Existe uma matéria pensante da qual todas as coisas são feitas, e que, em seu estado original, penetra e preenche todos os interespaços do Universo.
Um pensamento, nessa substância, produz a coisa imaginada por ele. O homem pode formar coisas em seu pensamento e, ao imprimir esses pensamentos à substância informe, pode fazer com que seja criada a coisa na qual pensou.
Para fazer isso, o homem deve passar da mente competitiva para a mente criativa, do contrário não pode estar em harmonia com a Inteligência Informe, que é sempre criativa e nunca competitiva em essência.
O homem pode alcançar harmonia completa com a Substância Informe, conservando uma gratidão viva e sincera pelas bênçãos que ela lhe concede. A gratidão faz com que a mente do homem se una à inteligência da Substância, de modo que os pensamentos dele sejam recebidos pela "Informe". O homem só pode se manter no plano criativo unindo-se à Inteligência Informe por meio de um sentimento profundo e constante de gratidão.
O homem deve formar uma imagem clara e precisa das coisas que deseja ter, fazer ou ser, e deve manter essa imagem ou pensamento, sendo ao mesmo tempo profundamente agradecido ao Supremo pela realização de todos os seus desejos. O homem que quer ficar rico deve passar suas horas de lazer contemplando sua visão e agradecendo sinceramente o fato de estar recebendo a realidade. É extremamente importante a contemplação frequente da imagem mental, aliada a fé inabalável e à gratidão sincera. Este é o processo pelo qual a imagem é enviada à Informe, e que ativa as forças criativas.
A energia criativa funciona por meio dos canais estabelecidos do crescimento natural e da ordem industrial e social. Tudo o que está incluído nessa imagem mental certamente será trazido para o homem que segue as instruções e cuja fé jamais vacila. O que ele deseja lhe será dado por intermédio da indústria e do comércio.
Para receber o que lhe pertence, no momento que chegar, o homem deve ser ativo, e essa atividade só pode consistir em ser maior do que o lugar que ele ocupa. Deve manter na memória o Propósito de ficar rico por meio da realização dessa imagem mental. E deve fazer, a cada dia, tudo o que puder fazer nesse dia, cuidando para que cada ato seja feito com perfeição e sucesso. Deve dar a cada homem o valor de uso maior do que o valor em dinheiro que dele recebe, de modo que cada transação signifique mais vida, e deve manter o Pensamento Avançado de que a impressão de Crescimento será transmitida a todos aqueles com quem ele entrar em contato.
Os homens e mulheres que seguirem essas instruções certamente ficarão ricos, e as riquezas que receberem terão a proporção exata da clareza de sua visão, da firmeza de seu propósito, da solidez de sua fé e da profundidade de sua gratidão."

Espero que essa síntese lhe aguce a curiosidade e que você sinta a comichão intelectual que eu senti, e que me levou a procurar pelo livro que inspirou Ronda Byrne a escrever "O Segredo" - ou seja, "A ciência de ficar rico" é o segredo, por trás do "Segredo", risos.
Há muitos anos atrás Ronda Byrne me influenciou muito positivamente e agora, Wallace Wattles me conduz a um aprofundamento maior na lei da atração. Me sinto mergulhando de corpo e alma nesse processo de despertar da consciência e convido você a vir comigo! Portanto, boa leitura!!!

sexta-feira, 12 de abril de 2024

O cérebro das pessoas felizes - Ferran Cases e Sara Teller

Assim como o livro tema da resenha anterior (A biblioteca da meia-noite) essa obra foi adquirida da prateleira que fica no caixa do mercadinho da minha cidade - SIM, o mercadinho tem uns livros incríveis!
"O cérebro das pessoas felizes" dos autores Ferran Cases e Sara Teller é uma obra de neurociência, mas também de autoajuda. Ferran é um escritor espanhol, ansioso por natureza, que resolveu relatar sua trajetória de lutas contra seu transtorno de ansiedade e Sara é uma neurocientista, que nos conduz pelos meandros dos mecanismos cerebrais por trás dos comportamentos de Ferran: intercalando os relatos das experiências de vida do escritor, com as explicações científicas da doutora, essa leitura nos proporciona de maneira objetiva e didática uma compreensão de como nosso cérebro funciona, nos conferindo poderes que só o conhecimento é capaz de nos conceder!
A resenha abaixo também será simples e didática, para que assim você se sinta atraído por aprofundar-se nessa leitura, que já adianto, fez muita diferença para mim!



A última evolução do nosso cérebro ocorreu há uns 100 mil anos, portanto ele ainda é primitivo e está tendo de se adaptar muito rapidamente  as mudanças tecnológicas que estamos vivendo e que nos induzem a estímulos contínuos - isso gera ansiedade e estresse. 

O estresse é uma resposta natural e fisiológica do nosso organismo que age de acordo com o seguinte mecanismo: diante de um estímulo sensorial muito intenso ou uma "ameaça" - este é processado na região cerebral chamada amídala - nossos circuitos neurais mandam um sinal ao hipotálamo, que manda um sinal à hipófise, que manda outro às glândulas adrenais, que segregam adrenalina, noradrenalina e cortisol, fazendo o corpo se preparar para a luta ou a fuga - e dessa forma reagimos de maneira rápida diante do estímulo (ameaça) SEM PENSAR MUITO.

O estresse é caracterizado por uma ansiedade generalizada, prolongada por um bom tempo. Em geral nos sentimos estressados diante de situações que percebemos não ter recursos suficientes para enfrentá-las. Ser exigente demais consigo mesmo ou procurar ter tudo sob controle são ações do cérebro que visam garantir nossa sobrevivência, porém o estresse contínuo pode ter o efeito contrário: intoxicado de cortisol, o organismo passa a ter o sistema imunológico prejudicado e aumenta nossa probabilidade de adquirir enfermidades.

Pessoas ansiosas vivem dominadas pelo MEDO e as decisões dos ansiosos são canalizadas por essa emoção específica. Quando nos encontramos nesse estado de ansiedade buscamos satisfação em curto prazo: motivados pela busca do prazer e para escapar da dor.
Se nossos pais sofrem de ansiedade, teremos de 30 a 40% de probabilidade de sermos ansiosos também. Teremos mais riscos mas isso não é condicionante, porque o cérebro é mutável graças a neuroplasticidade. Quarenta por cento do que somos (temperamento) é herdado geneticamente, o restante (personalidade) é formado a partir das experiências vividas. A personalidade é formada por um padrão de comportamentos que advém da repetição de pensamentos e condutas, que reforçam as conexões responsáveis por eles: o cérebro interpreta como real aquilo que pensamos. Se eu elucubrar continuamente sobre a mesma coisa da mesma forma, esse caminho neural, com o passar do tempo passa a ser ativado automaticamente pois o cérebro é preguiçoso e gosta de fazer sempre as mesmas coisas com intuito de economizar energia e sobreviver.
O cérebro prefere sobreviver a ser feliz.  

Diante disso, é importante tomar consciência de quais hábitos ou programas mentais automatizados estão nos destruindo ou são limitantes e tentar trocá-los por outros que nos beneficiem. Graças a neuroplasticidade isso é possível.

Por trás da constante busca por prazer e fuga da dor há a dinâmica da recompensa imediata: o cérebro libera um neurotransmissor do prazer, a dopamina, que é responsável não só pela motivação que nos impulsiona em nossas tarefas do dia a dia, mas também pela motivação que empregamos na busca pelo prazer contido nos vícios, na alimentação carregada de açúcares e gorduras, pelo sexo desenfreado, etc.
O controle sobre nossos impulsos primitivos, que visam buscar apenas satisfação imediata, tem relação com a atividade do córtex pré-frontal: é ele que é capaz de processar nossos impulsos e emoções, fornecendo maior racionalidade a nossas decisões. Veja bem, emoções são úteis e fundamentais para nossa existência como humanos em sociedade, mas as emoções descontroladas favorecem a manutenção da utilização da via rápida de reação: uma pessoa reativa, impulsiva, se deixa levar pelos impulsos e emoções sem racionalizá-los e dessa forma, acaba os transformando em ansiedade e estresse.
Estudos comprovam que as pessoas que se dão um tempo para racionalizar as emoções têm a conexão entre amídala e córtex pré-frontal reforçada.

Como reforçar a conexão entre amídala e córtex pré-frontal? Como destronar a amídala e reforçar a via lenta de reação, fazendo com que nossas emoções sejam racionalizadas e sejamos menos ansiosos, estressados e impulsivos?

Respirar profundamente diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial e baixa a concentração de cortisol, o que reforça o sistema imunológico. A respiração também influência a atenção, a memória e a maneira como gerenciamos as emoções;

Praticar atividades físicas - além de melhorar o sistema cardiovascular, da queima de calorias, da redução de gordura e da manutenção da massa muscular, também ajuda na liberação de dopamina, endorfina e serotonina que proporcionam sensação de bem-estar e felicidade;

Meditar lhe permite dominar a mente. Deixamos de entrar em loop e de viver constantemente no piloto automático.
Quando meditamos, respiramos de maneira mais pausada, diminuindo a frequência cardíaca e aumentando sua variabilidade, o que nos dá um tom vagal (estimula o nervo vago que ativa o sistema parassimpático) e induz a um estado de relaxamento, melhorando a coordenação entre o cérebro e o coração.

Alimentação saudável - o que comemos pode impactar o aumento da ansiedade - ingerir muitos açúcares, gorduras, alimentos industrializados e excesso de sal pode prejudicar a flora intestinal. Estudos comprovam que o uso de prebióticos  aumenta as bactérias do tipo Lactobacillus no intestino e atenua os níveis de cortisol. O intestino é considerado um segundo cérebro e as pessoas que possuem uma flora rica, tem menos depressão.

Sono de qualidade - passamos quase um terço da vida dormindo. O cortisol diminui durante a noite e a melatonina, conhecida como hormônio do sono, sobe. A privação do sono e nos impõe um estado de vigília intenso prejudicando o sistema cardiovascular e imunológico. A memória também sofre um déficit, uma vez que enquanto dormimos, saneamos as lembranças, integrando-as a outras já existentes fazendo com que lembremos melhor das informações mais tarde.
 
Disciplina - adquirir novos hábitos, estabelecendo novos caminhos neurais é um exercício que exige muito foco e disciplina. E não ocorre em um passe de mágica: estudos científicos revelam que um novo comportamento leva cerca de 66 dias para ser assimilado por nosso cérebro. Portanto, se quisermos uma vida com mais qualidade, menos estresse e ansiedade, a DISCIPLINA é um ingrediente imprescindível.

Por fim, lembro que o ambiente que nos cerca também influencia muito nas nossas escolhas. Se vivemos ou trabalhamos em um ambiente estressor, convivemos com pessoas abusivas e tóxicas, há uma chance muito grande de fracassarmos em nossas tentativas de alcançar uma transformação interior, de buscarmos a evolução. Segue abaixo um trecho do livro, para que possamos refletir melhor a respeito:


Espero que essa obra impacte a sua vida e te impulsione a buscar seu propósito, sua melhor versão de si.
Boa leitura!!!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

A biblioteca da meia-noite - Matt Haig

 Enquanto passava minhas compras no caixa do mercadinho da minha cidade no interior, resolvi dar uma olhada na estante de livros ao lado e me deparei com o verde fluorescente da capa do livro "A biblioteca da meia-noite" que me chamou muito a atenção.
Li o breve resumo da contracapa e resolvi comprar - não por acaso - eu precisava muito ler esse livro, só que até então não sabia disso. O Universo simplesmente me guiou até ele e eu vou resenhar a história para vocês aqui, transmitindo as minhas impressões e aprendizados.



Nora Seed era uma mulher de 35 anos que colecionava desistências e fracassos na vida, apesar de todo seu talento em várias áreas. Era exímia nadadora na adolescência, tendo vencido algumas competições. Ainda jovem, aprendeu a tocar teclado sozinha e participou de uma banda com irmão, para a qual compôs inspiradoras canções. Cursou faculdade de filosofia e amava o filósofo Henry David Thoreau, grande expoente da filosofia transcendentalista (até comprei o livro Walden de sua autoria e pretendo trazer em breve a resenha dele). 
No entanto, sua vida atual era um retrato da mediocridade. Nora trabalhava em uma loja de instrumentos musicais, estava solteira e morava sozinha com seu gato Voltaire em uma casinha de aluguel. Não tinha amigos próximos - sua melhor amiga Izzy tinha se mudado para a Austrália e elas pouco se falavam - e também não conversava com o irmão, que se revoltou com ela após o termino da banda que tinham "The Labyrinths". Seu ex-noivo, Dan, de quem ela se separou dias antes do casamento, a sondava as vezes, mais por obsessão do que por sentimento verdadeiro. Seus pais haviam falecido e os únicos contatos humanos que ainda possuía eram seu aluno de piano Leo, seu vizinho idoso, o Sr Banerjee e seu patrão, o dono da loja de música.
Então, um belo dia, após uma longa jornada de trabalho, Nora se despediu do chefe que sem titubear a demitiu, alegando que a loja andava mal das pernas e que por ser portadora de um currículo invejável, ela estava muito acomodada e deveria dar um novo rumo para sua vida.
Chegando em casa, após entornar uma garrafa de vinho, recebeu a inesperada visita de Ash. O rapaz era um médico, cliente de sua loja e havia decidido chamá-la pois encontrara se gato Voltaire morto no meio fio. A partir daí, Nora desaba em prantos e passa a se questionar a respeito do sentido de sua existência: se ela não era nem capaz de cuidar de um gato e, após acumular tantos fracassos, para o que mais serviria? 
Foi então que tomou a fatídica decisão de se suicidar.

Nora acordou em um local estranho. Sob uma névoa densa conseguiu enxergar um prédio, com um relógio marcando a meia-noite. Ao entrar no edifício se viu diante de uma biblioteca que possuía infinitos corredores e prateleiras, contendo livros verdes de todas as nuances possíveis.
Para recebê-la apareceu a Sra Elm, uma bibliotecária que a havia ajudado muito em seus tempos de escola, sobretudo quanto ao falecimento de seu pai, que tinha sido um momento muito delicado em sua vida.
Então, a Sra Elm explica o significado de Nora estar ali - em sua vida raiz, a moça estava entre a vida e a morte e, na Biblioteca da meia-noite teria a derradeira oportunidade de confrontar seus arrependimentos - através da leitura do "Livro cinza dos arrependimentos" e escolher novas possibilidades de vidas - através da leitura dos livros verdes, contendo diversas opções de caminhos a seguir com base em suas reconsiderações sobre sua vida raiz.
A saga de Nora começa e seus arrependimentos são expostos durante sua leitura do livro cinza: por que havia abandonado a natação, já que tinha potencial? Por que tinha se separado de Dan, antes do casamento? Por que tinha desistido da banda "Labyrinths" com o irmão? 
Ao escolher as vidas que gostaria de experimentar, Nora recebe o livro verde correspondente àquela existência e como num passe de mágica durante a leitura, se vê na respectiva vida. Conforme vai experimentando cada uma, assim que percebe o ressoar de uma melancolia dentro de si, de imediato volta para a biblioteca. A explicação que a Sra Elm dá para esse fenômeno é a de que Nora só permanecerá dentro da "vida" em que se sentir verdadeiramente feliz, ou seja, plenamente satisfeita com ela.
Mas isso não acontece. Vida após vida e a tristeza só cresce.
Por fim ela compreende que, no fundo, aquelas existências estavam de acordo com padrões do que os outros desejam para a vida dela: o pai queria que ela fosse nadadora olímpica, Dan queria que eles se casassem, a viagem para a Austrália era um sonho de Izzy e a banda, era um desejo de seu irmão.
Outras vidas são experienciadas, dessa vez de acordo com seus próprios padrões. Mas Nora finalmente compreende que existia um sentido mais profundo em sua vida raiz. Inconscientemente ela deseja retornar e sobreviver da tentativa de suicídio.

Não pretendo dar spoilers. Então não me aprofundarei tanto na história em si.
Mas gostaria de trazer alguns pontos para reflexão, pois essa narrativa nos desperta essa necessidade.
Nora evidentemente cresceu em uma família tóxica, com um pai narcisista, para mim isso fica claro durante a leitura. Isso contribuiu para que ela se tornasse extremamente insegura de si, sem um senso de identidade próprio. Pessoas que crescem com pais controladores tendem a ter uma autoestima muito baixa e se tornam adultos cheios de culpa e ressentimentos, sobretudo por que acreditam que vivem para atender as expectativas dos outros.
Ao longo de sua jornada na "Biblioteca da meia-noite" Nora compreende isso de maneira inconsciente e por isso retorna a sua vida raiz, pois enfim entende que há um sentido maior nela, afinal além de ser um ser humano empático, suas pequenas atitudes do dia-a-dia reverberam nas vidas das pessoas simples de seu convívio e contribuem de maneira positiva para elas.
Conclui então que, tanto faz ser uma campeã olímpica, uma estrela do rock, ou uma funcionária de loja de discos, o que importa no final é o bem que fazemos para o próximo e o impacto que tantas pequenas ações gera na sociedade.
Filhos de narcisistas sofrem com as expectativas grandiosas dos pais, e quando não as atingem se sentem extremamente frustrados, como se não tivessem o direito de viver. 

Refletir é necessário!

Boa leitura!!!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Da Silva: A grande fake news da esquerda - Pavinatto

 De acordo com Tiago Pavinatto, em sua obra "Da Silva: A grande fake news da esquerda", o maior desserviço histórico dos comunistas no Brasil foi alçar o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, ao status de herói nacional.
Em seus discursos, o militar e político comunista mais famoso do Brasil - Luís Carlos Prestes - capciosamente vendeu Lampião e o seu bando para o mundo como pobres camponeses que se insurgiram contra a opressão. A partir da defesa nada honesta dessa fake news irresponsável, conclamou o Partido Comunista do Brasil a abraçar os cangaceiros para assim, guiar esses companheiros dispersos em uma verdadeira frente ampla pela luta de massas contra o sistema de privilégios.

Mas afinal, quem eram os cangaceiros na realidade?
Um cangaceiro não passava de um miliciano de aluguel, contratado com a finalidade de manter os latifúndios e o poder político de seus proprietários, os coronéis, através de extrema violência.
O fenômeno do Cangaço ocorreu no Nordeste brasileiro e teve seu ápice na década de 1930, tendo como seu maior expoente o sanguinário líder Virgulino Lampião. Seu bando percorria o Sertão tocando o terror nas famílias mais pobres, extorquindo os pequenos fazendeiros, espoliando os seus bens, além de estuprar e matar dezenas de meninas e mulheres: o mais puro caldo do sadismo.
Quando o bando de Lampião assassinava qualquer homem que, em sua casa fosse marido, matava também a sua esposa caso ela fosse considerada feia - com ou sem estupro coletivo. Todavia, se fosse considerada bonita, a pobre mulher ficava "à disposição" dos cangaceiros presentes: quem quisesse se tornaria dono dela, como se ela fizesse parte do espólio do defunto.

Pavinatto narra várias atrocidades cometidas contra mulheres durante o Cangaço. Entre elas, a notícia que mais provocou náusea em todo o país e foi capa do jornal A Noite, em 11 de junho de 1931, estampada com a foto de Maria Felismina, pobre moça ferreada na face por Lampião.


Em Porto da Folha, Sergipe, Virgulino invadiu um casamento, estuprou a noiva fazendo-a sangrar e, antes de oferecer a vítima a todos os cangaceiros que estavam com ele, mandou que a avó desta limpasse o sangue que sujava seu pênis.
Em outra ocasião, durante um estupro coletivo, a vítima sofreu uma hemorragia e para não frustrar a "festa", Lampião encheu sua vagina de terra e socou com um punhal para estancar o sangue que corria. 
Outro cangaceiro do grupo, o comparsa Zé Baiano, além de ferrar mulheres com suas iniciais e se excitar com o cheiro de carne queimando em brasa "notabilizou-se" também por estuprar Maria de Nazaré, uma menina cega de 10 anos, na frente de seu pai.

Mas e a rainha do Cangaço?
Maria de Déa foi apelidada pela imprensa carioca de "Maria Bonita", em referência a protagonista do romance homônimo de Afrânio Peixoto que contava a estória de uma jovem baiana extremamente bela, que enfrenta as dificuldades da vida no sertão. 
No entanto, de bela, Maria não tinha absolutamente nada, nem tampouco de sensata. Deslumbrada com todo o poder, o dinheiro e o status de ser a primeira-dama do Cangaço, não empatizava com as vítimas do marido e seu bando bestializado.

Sobre a personalidade psicopata do "rei do Cangaço":



Além de misógino, Lampião era notoriamente preconceituoso e se orgulhava disso. Mesmo sendo um sujeito coxo, levemente corcunda e de pele acentuadamente escura, além de cego de um olho, carregava convicções preconceituosas contra carecas, homens efeminados, pessoas com deficiências e principalmente contra pessoas pretas. Segundo suas próprias palavras: "Negro não é gente. Negro é a imagem do cão."
O fel de sua personalidade sem dúvida foi herança de sua família degenerada, que antes mesmo de Virgulino nascer fora expulsa da região de Inhamuns no Ceará, pois apesar de serem pequenos proprietários, os Ferreira da Silva eram notórios ladrões de animais. 
O narcisismo do rei do Cangaço era também alimentado pelos coronéis que o disputavam, pois mesmo extorquidos e traídos, continuariam a desejar sua amizade e jamais lhe trairiam. Mas por qual motivos tais coronéis se submeteriam a uma posição tão humilhante? 
Porque Lampião era o protagonista do tráfico de armas no Brasil, armas essas que eram de uso exclusivo do exército brasileiro e lhes eram vendidas por soldados sergipanos e autoridades do governo baiano. Garantindo a ele abastecimento contínuo para sua milícia.
Por fim, o componente sádico da persona de Virgulino pode ser mensurado pelo prazer que este ser atávico tinha em humilhar pessoas humildes e desarmadas. Aliás essa sempre foi a tônica de seu grupo. A brincadeira do castiçal é um exemplo claro de sua boçalidade: consistia em escolher um homem, para que ficasse de quatro e, introjetada uma vela em seu ânus, este deveria aguentar até que queimasse toda.
Outra modalidade de tortura criada pelo gênio doentio do cangaceiro, consistia em prender à chave, em uma gaveta, o saco escrotal da vítima e deixar à sua disposição uma faca, após atear fogo no recinto... E assim, apostar com seus cabras se a vítima morreria queimada, ou castrando-se conseguiria sair do local.
O fim dessa quadrilha sádica todos nós sabemos qual foi. E ao meu ver, eles simplesmente colheram o que plantaram: emboscados pelo Tenente João Bezerra em Angicos, foram assassinados com rajadas de metralhadora e posteriormente decapitados.


Se após ler os fatos narrados nessa elucidativa obra de Pavinatto, que desconstrói o mito do "rei do Cangaço" e está embasada em farta bibliografia sobre o assunto, você ainda não sair convencido de que a  romantização da figura de Lampião como um Robin Hood tupiniquim trata-se de uma grande mentira, fruto da diabólica manipulação do pensamento engendrada pelos políticos de esquerda, pela imprensa, bem como pelo meio artístico, que durante anos fomentou essa falsa e perversa figura como se fosse um herói... 
Não sei mais o que será necessário, pois realmente, algumas pessoas encontram-se num nível de dissonância cognitiva tão profunda, que não há maneiras de convencê-las da verdade.

Você pode escolher pensar por si mesmo!
Leia o livro, faça suas pesquisas e chegue a suas próprias conclusões.
Essas são minhas recomendações por hora!

Boa leitura!

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Ossos do ofício - Sue Black

Sue Black é antropóloga forense da Coroa Britânica e nos presenteia com a narrativa de suas experiências profissionais em sua obra "Ossos do Ofício".
No Reino Unido a antropologia forense é uma ramo da perícia criminal. Quando os patologistas não conseguem mais solucionar o enigma dos corpos já em estado avançado de decomposição que chegam ao Instituto Médico Legal - mais precisamente os esqueletizados - então o antropólogo entra em campo com seu conhecimento aprofundado sobre os ossos do corpo humano.


De acordo com Sue, cada osso é capaz de nos contar um pouco da história de vida daquele ser humano a quem pertenceu. Por menor que seja, um fragmento pode revelar não apenas os genes e a identidade do seu possuidor, mas também detalhes a respeito da forma como essa pessoa morreu.
O mais interessante dessa obra é que paralelamente ao conhecimento técnico que Sue habilmente expõe, ela também nos traz um olhar de humanidade não apenas para os restos mortais analisados por ela durante seus anos de profissão, como também sobre as partes do nosso próprio corpo. Eu por exemplo adquiri uma consciência corporal muito maior após essa leitura. Digo isso porque conhecer mais detalhadamente aspectos sobre o meu corpo, mais especificamente sobre meus ossos, que me fornecem sustentação em minhas atividades diárias é algo fascinante.
Eu sou farmacêutica e estudei anatomia na faculdade, porém não me especializei no tema a ponto de conhecer minúcias. Para quem flerta por exemplo, com a área da perícia criminal, sendo profissional de saúde ou não, a leitura de um livro como esse é bastante enriquecedora do ponto de vista técnico e como experiência de vida - agrega informações extremamente úteis, pois proporciona autoconhecimento, a medida que passamos a compreender melhor como funciona nosso corpo.
O livro é dividido em cinco partes. A primeira "O esqueleto" vai nos introduzir ao tema - a antropologia, o estudo do esqueleto humano e suas aplicações na perícia forense, na segunda: "Cabeça" ela traz casos interessantes de como identificou cadáveres a partir de crânios já em completo estado de decomposição (cito um exemplo abaixo). A terceira parte "Corpo", divide-se em espinha, peito e garganta e um fato bastante interessante que ela descreve nesse capítulo é a "fratura do enforcado" sobre a qual eu tinha uma noção muito rasa e complementei bastante meus conhecimentos através da leitura. Na quarta parte ela fala dos "Membros" e destrincha o funcionamento das cinturas escapular e pélvica, ossos longos, pés e mãos. A conclusão vem na quinta parte: "Juntando os ossos" e realmente nos faz refletir sobre todo o aprendizado adquirido durante a leitura e como isso fará diferença em nossas vidas.

Um dos casos que a autora expõe e o da coreana Jin Hyo Jung. 


Dois rapazes estavam de carro no campo quando viram uma mala prateada largada numa vala lateral de uma estrada remota. Eles pararam para dar uma olhada - ela estava pesada e quando eles repararam que da mala vazava um líquido marrom e um odor pungente, eles não a abriram: ligaram para a polícia da região.
No necrotério, a polícia e o patologista abriram a mala e encontraram uma jovem nua, encolhida em posição fetal - o rosto e a cabeça estavam enrolados em fita adesiva, as feições visíveis indicavam que era de origem asiática, porém as impressões digitais e o DNA dela não foram localizados nos bancos de dados da Instituição. Nada parecia bater com os nomes listados nos registros de desaparecidos do Reino Unido. Sem pistas sólidas e com o rosto do cadáver desfigurado pela decomposição e as fitas, a antropóloga forense entrou em ação.
Após a realização de exames minuciosos no cadáver e com base em radiografias, Sue estabeleceu que a jovem tinha entre 20 e 25 anos de idade quando morreu.
Assim, a Interpol emitiu uma notificação internacional sobre um corpo encontrado, não identificado com essas características. Na França, uma estudante sul coreana havia desaparecido e após comunicação com a embaixada da Coreia do Sul e uma transferência de impressões digitais do documento dela, a identidade foi logo confirmada.
Jin Hyo Jung estava visitando o Reino Unido como turista e tinha alugado um quarto no apartamento que pertencia a um senhorio coreano, em Londres. No apartamento do homem foi encontrado o rolo de fita utilizado para enrolar o rosto da jovem. E aquele rolo de fita continha sangue compatível com o da vítima. O sangue de Jin também foi encontrado no apartamento e no carro do senhorio - Kim Kyu Soo.
Após vasculharem outra propriedade de Kim, a polícia encontrou o corpo de outra jovem sul coreana que havia desaparecido anteriormente - ela estava dentro de um guarda-roupa amarrada com a mesma fita. Preso e levado a julgamento, ele foi considerado culpado pelo homicídio das duas mulheres, roubo de suas contas bancárias - ele havia retirado todo o dinheiro da conta das garotas - bem como por obstrução de justiça, pois ocultou os corpos. Ele foi sentenciado a prisão perpétua duas vezes.
Os aspectos técnicos que conduziram Sue a essa conclusão são descritos no livro, a análise de aspectos de desenvolvimento e envelhecimento dos ossos, não apenas do crânio mais de outras partes do corpo foram cruciais para a determinação da idade da vítima e por fim, possibilitou o esclarecimento de sua identidade em conjunto com a divulgação adotada pela Interpol.

Para quem estiver interessado em atuar nessa área, recomendo essa leitura como forma de aprofundar-se no tema, mas esclareço que o livro aborda especificamente a antropologia forense (o estudo dos ossos, do cadáver esqueletizado). Outros livros, contendo temas como a patologia forense, que abrange mais os aspectos dos cadáveres em menor estado de decomposição, como pro exemplo "O Segredo dos corpos" do Dr. Vincent de Mayo também são bastante enriquecedores.



Espero que tenham gostado da dica! Tenham uma excelente leitura.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O pequeno príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

 A tensão dos últimos dias devido a invasão de Israel e a guerra, tem nos causado desconforto e ansiedade. Uma das formas que eu encontro desde sempre, para mudar o foco da minha mente para coisas positivas é a leitura.
Mudar o foco não quer dizer manter-se alienado da realidade, eu acompanho as notícias e oro pela população que sofre com as consequências do conflito, mas procuro um conforto nesse hábito que é um oásis na minha vida.
Esse final de semana terminei a leitura do "Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry. Fiz essa leitura em paralelo a outras, mas nesse momento de angústia ela realmente fez a diferença. Foi uma lufada de frescor para a alma.



O autor era aviador e escrever para ele era um hobby. Sei bem como é isso, estar dividido entre a paixão por sua profissão e o amor pela literatura.
Na minha interpretação "O Pequeno Príncipe" é uma obra sobre o resgate da criança interior perdida. 
No início o piloto, que é o narrador da história, aparece em meio a um deserto consertando seu avião que havia quebrado. De repente se depara com um menino pequeno, de cabelos dourados, que lhe pede que faça desenhos.
O pequenino também começa a contar-lhe a sua saga, desde a saída de seu planetinha natal até a chegada da Terra. Seu pequeno planeta tinha três vulcõezinhos e uma rosa, a sua rosa. A vaidade de sua flor o impele a sair em busca de novas experiências, pois lidar com ela era bem cansativo. Nessa busca, o pequenino passa por vários outros diminutos planetas, habitados respectivamente por um rei, um homem vaidoso, um bêbado, um homem de negócios, um acendedor de lamparinas, um geografo e enfim, a sétima parada era a Terra, onde conhecera o piloto.
Após narrar sua epopeia ao aviador, o menino resolve sair para um breve passeio pelo deserto e encontra belas paisagens de onde pode apreciar as estrelas. Se depara com um jardim repleto de milhares de rosas e nesse ínterim conhece uma raposa falante, que transmite preciosas lições:

"... é somente com o coração que podemos ver corretamente; o essencial é invisível aos olhos."
" - Foi o tempo que perdeu com sua rosa que fez dela uma rosa tão importante."
"... Você se torna eternamente responsável pelo que cativou. Você é responsável por sua rosa."

O príncipe despede-se da raposinha, segue errante pelas paragens próximas e encontra uma estação ferroviária. Lá observa pessoas superocupadas descendo e subindo dos trens, sem se dar conta de que a vida passava. Depois disso encontra um comerciante que vende pílulas para matar a sede das pessoas - o objetivo dessas pílulas era que as pessoas economizassem o tempo que gastavam em suas vidas com o ato de ter que beber água.
Horrorizado com tamanha desconexão das "pessoas grandes" com a importância das coisas simples da vida, o garoto retorna ao local de origem e reencontra o aviador para uma triste despedida. Ele decide voltar para seu planetinha e sua rosa, mas antes deixa a seguinte mensagem:

" - As pessoas - disse o pequeno príncipe - seguem seu caminho nos trens expressos, mas elas não sabem o que realmente estão buscando. Então elas vivem correndo, estressadas, dando voltas em torno do mesmo lugar. E nada disso vale a pena."

O coração do piloto é tomado de ternura ao despedir-se do menino.

Ao fim da história, pude compreender que esse encontro entre ambos (o homem e o menino) no deserto representa o reencontro de um adulto solitário com sua criança interior. Uma criança que viajou mundos, conheceu todo tipo de pessoas superficiais, mas não se esqueceu de sua rosa. A delicada rosa, que representa suas emoções que devem ser cultivadas, protegidas das más influências do mundo excessivamente racional, que não reconhece o valor da coisas simples da vida e das conexões afetivas que devemos formar, pois são essas memórias que levaremos conosco quando partirmos desse planeta.
Nesse momento difícil, onde a humanidade encontra-se quase que totalmente cegada por seu narcisismo, hedonismo e materialismo, digo que apreciar a água que se bebe, desfrutar a companhia daqueles que amamos, tudo isso é muito precioso! Cultivemos e cativemos a rosa que brota dentro de nós, na nossa alma, através da construção de laços e memórias afetivas, valorizando cada pequeno milagre diário da vida!!!

Boa leitura.

domingo, 10 de setembro de 2023

As cinco feridas emocionais - Lise Bourbeau - Ferida da HUMILHAÇÃO

 Conforme prometido retornamos com a resenha da terceira ferida emocional, a ferida da HUMILHAÇÃO.
Essa é uma ferida relacionada ao TER e ao FAZER, ela desperta no período em que a criança aprende a comer sozinha, a ser asseada, a usar o banheiro, a falar, a escutar e compreender o que os adultos lhe dizem, ou seja, quando a criança passa a ser mais independente, mais autônoma.
Seu despertar se produz no momento em que a criança sente que SUA MÃE (sim, essa é uma ferida gerada pela mãe, independente do sexo da criança, ou pelo pai, quando esse assume um papel de "educador" que geralmente é da mãe) tem vergonha quando o filho (a) está sujo, faz uma má-criação ou está mal vestido por exemplo - sobretudo quando isso ocorre em público ou em frente a outros familiares.
O comportamento de ridicularizar, expor o filho na frente de outras pessoas faz a criança acreditar que envergonha e enoja seus pais. Então ela se sente humilhada e se culpa por isso. Vale ressaltar que as crianças não sabem se auto regular emocionalmente, portanto os pais deveriam fazê-lo, mas quando não cumprem seu papel, essa criança vai forjar para si a máscara do MASOQUISTA a fim de camuflar seu sofrimento interno.
É de conhecimento geral que o MASOQUISMO é o comportamento da pessoa que encontra satisfação e até prazer em sofrer. Em geral são pessoas que procuram dor e humilhação de maneira inconsciente. Condicionados a sofrerem humilhações calados na infância, os masoquistas crescem com dificuldade para exprimirem suas reais necessidades e seus reais sentimentos. Evitam falar com medo de se envergonhar ou de causar vergonha a alguém.
Se privam de vivenciar situações que lhe proporcionariam lazer ou distração, uma vez que se sentem indignos disso. Portanto são pessoas que costumam estudar ou trabalhar demais, de maneira que encontrem nos sacrifícios o seu prazer.
São frequentemente apegados a mãe e vão fazer de tudo para não lhe causar vergonha. Essa mãe acaba tendo bastante influência sobre o masoquista mesmo que isso aconteça de modo inconsciente e involuntário. Em geral, eles chegam a ponto de perder o contato com os próprios desejos para não desagradar a mãe.
Para se esquecer de si mesmo e de suas vontades, o masoquista desenvolve a capacidade de se colocar em situações em que deve cuidar de alguém. Fazendo de tudo pelos outros, muitas vezes se degrada e se humilha, mas isso, o faz sentir que sem sua ajuda as outras pessoas não serão bem sucedidas. Ele faz de tudo para se mostrar útil aos outros como forma de esconder sua ferida.
O indivíduo que sofre com a ferida da humilhação sempre se recrimina por tudo e até mesmo assume a culpa de algo pelos outros. 
Ele tem a capacidade de fazer os outros rirem. Ele é muito expressivo e engraçado contando histórias e coloca-se como alvo do riso das pessoas. É uma maneira inconsciente de se humilhar e rebaixar. Assim talvez, ninguém adivinhe que, sob as palavras que despertam risadas, se esconde o medo da vergonha.
Não somente o medo da vergonha ronda a vida do masoquista, como também o de magoar os outros, de parecer egoísta, de revelar suas necessidades ou desejos, de ser rebaixado e humilhado (por isso muitas vezes ele mesmo se rebaixa), de que o outro o faça se sentir um lixo, de se sentir ou ser taxado de indigno. Reconhecer-se nesses medos é um bom meio para você detectar se possui essa ferida.
Precisamos falar do grande tabu na vida do masoquista, a vergonha sexual. Lise Bourbeau diz no livro que essa vergonha é transmitida de geração em geração em uma família e só será resolvida quando a ferida da humilhação for curada. Ela constatou ao longo dos anos de atendimentos e pesquisa, que a maioria dos indivíduos que sofre de humilhação faz parte de famílias cujos membros têm problemas sexuais e se relacionam com pessoas com esses dilemas. 
Tantos desejos reprimidos fazem com que haja muita energia bloqueada no corpo do masoquista. Se ele se permitisse sem vergonha ou culpa, ser livre como precisa, com certeza não teria tanto acumulo de peso, literalmente. Suas características físicas abrangem o sobrepeso, a estatura baixa, o pescoço largo e inchado, tensões no pescoço, mandíbulas e pélvis. Carregar o peso de suas escolhas não feitas, vontades reprimidas, responsabilidades em excesso (que ele absorve para si para aliviar os outros) tem um peso, um peso que se manifesta em seu corpo físico, infelizmente.

Nas próximas semanas, voltarei trazendo a resenha a respeito da ferida da TRAIÇÃO. 
Você pode ter se identificado com a ferida do HUMILHAÇÃO, porém, lembre-se que o grau das feridas que possuímos pode variar e sempre teremos mais de uma delas, em proporções diferentes. Por isso recomendo que acompanhe as demais postagens do blog!



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