Será que é possível reconstruirmos nossas mentes e criarmos um novo eu?
Nessa resenha trago o ponto de vista do Dr Joe Dispenza, especialista em neurociência. Em sua obra intitulada "Quebrando o hábito de ser você mesmo" ele nos conduz pela senda do autoconhecimento, através de uma narrativa didática e envolvente.
Segundo Joe, não estamos condenados por nossos genes e equipados para sermos de uma determinada maneira pelo resto da vida. Combinando os campos da física quântica, da neurociência, da genética, ele nos mostra que é verdadeiramente possível obter o conhecimento necessário para alterar qualquer aspecto de si mesmo, utilizando as ferramentas que ele apresenta no livro, de modo a promover as mudanças necessárias em qualquer área de nossas vidas. Ele desmistifica antigas compreensões e preenche a lacuna entre ciência e espiritualidade.
Os antigos cientistas como Descartes e Isaac Newton solidificaram através de suas convicções o conceito de que o Universo seria como uma máquina, estabelecendo uma mentalidade de que a realidade opera sobre princípios mecânicos, tendo o ser humano portanto, pouca influência em seus resultados - para eles, toda a realidade é predeterminada (teoria materialista).
Cerca de duzentos anos depois de Newton, Albert Einstein criou sua famosa equação E=mc², demonstrando que energia e matéria estão tão fundamentalmente correlacionadas QUE SÃO A MESMA E ÚNICA COISA. Isso introduziu um novo conceito sobre o funcionamento do universo (teoria quântica).
Posteriormente os físicos quânticos descobriram que a pessoa que observa (ou mede) as partículas diminutas que compõe os átomos afeta o comportamento da energia e da matéria. Experimentos quânticos demonstraram que os elétrons existem simultaneamente em um leque infinito de possibilidades em um campo invisível de energia. Mas apenas quando o observador foca a atenção em alguma localização de algum elétron, o elétron aparece. Em outras palavras, uma partícula não pode manifestar-se na realidade - ou seja, no espaço/tempo ordinário como o conhecemos - até que a observamos.
Os físicos quânticos denominam esse fenômeno de "colapso da função de onda" ou de "efeito do observador".
No modelo quântico, o universo físico é um campo de informação imaterial, interconectado e unificado, potencialmente todas as coisas, mas fisicamente coisa nenhuma. O universo quântico está apenas esperando um observador consciente (você ou eu) aparecer e influenciar a energia na forma de matéria potencial pelo uso da mente e da consciência (que são energia) para fazer ondas de probabilidades energéticas se aglutinarem em matéria física.
Vale ressaltar aqui que esse processo precisa aliar um pensamento intencional a um energizador, um catalisador - e essa energia é uma emoção elevada.
Nossa rotina e nossos pensamentos e sentimentos conhecidos perpetuam o mesmo estado de ser, que cria os mesmos comportamentos e a mesma realidade. Assim, se desejamos mudar algum aspecto de nossa realidade, temos de pensar, sentir e agir de novas formas; temos de ser diferentes em termos de nossas respostas às experiências.
Um criador quântico terá saído da "causa e efeito" para "causar um efeito". Renda-se, confie e desapegue de como um evento desejado irá se desenrolar.
Quando nossa vontade corresponde à vontade da consciência universal, quando nossa mente corresponde à mente da consciência universal, quando nosso amor pela vida corresponde ao amor pela vida da consciência universal, atuamos como essa consciência universal. Tornamo-nos o poder elevado que transcende o passado, cura o presente e abre as portas para o futuro.
Nossa missão, portanto, é migrar voluntariamente para o estado de consciência que nos permite conectar à inteligência universal, fazer contato direto com o campo de possibilidades e enviar um sinal claro de que verdadeiramente esperamos mudar e ver os resultados que queremos - na forma de retorno - produzidos em nossas vidas.
Se continua pensando os mesmos pensamentos, fazendo as mesmas coisas e sentindo as mesmas emoções, você começa a conectar seu cérebro em um padrão definido que é o reflexo direto de sua realidade definida. Consequentemente, ficará mais fácil e natural para você reproduzir a mesma mente momento após momento.
Esse ciclo inocente de respostas faz com que seu cérebro e sua mente reforcem ainda mais a realidade particular que é o seu mundo exterior. Quanto mais você dispara os mesmos circuitos reagindo a sua vida externa, mais você conecta seu cérebro para que seja igual ao seu mundo pessoal. Você ficará neuroquimicamente ligado às condições de sua vida. Com o tempo, começará a pensar "dentro da caixa", pois seu cérebro irá disparar um conjunto definido de circuitos que então vão criar uma assinatura mental muito específica. Essa assinatura é chamada PERSONALIDADE.
Se conseguir influenciar seu cérebro para que mude antes de você experimentar um evento futuro desejado, você criará os circuitos neurais apropriados que lhe permitirão comportar-se em linha com a intenção antes de ela tornar-se realidade em sua vida.
Para os nossos propósitos, pense nos neurotransmissores como mensageiros químicos essencialmente do cérebro e da mente; nos neuropeptídios como sinalizadores químicos que servem de ponte entre o cérebro e o corpo para nos fazer sentir da maneira como pensamos; e nos hormônios como as substâncias químicas relacionadas aos sentimentos principalmente no corpo.
Ao se passar anos tendo certos pensamentos e então sentindo-se do mesmo modo, e daí pensando igual a esses sentimentos, cria-se um estado de ser memorizado no qual podemos declarar enfaticamente nossa afirmação de "eu sou" como algo absoluto. Isso significa que estamos no ponto em que nos definimos como esse estado de ser. Mudar é pensar maior que a forma como nos sentimos. Mudar é agir de forma maior que os sentimentos do "eu" memorizado. Isso é ser maior que o corpo.
95% do que somos aos 35 anos é um conjunto de programas involuntários, comportamentos memorizados e reações emocionais habituais, por conseguinte, estamos inconscientes 95% de nossos dias. Apenas parecemos despertos. Nossa!
Para mudar sua personalidade, você precisa mudar seu estado de ser, que está intimamente conectado a sentimentos que você memorizou.
E que fique claro: por si só, o pensamento positivo jamais funciona! Pois são os sentimentos memorizados que limitam-nos a recriar o passado.
Os conceitos apresentados acima são corroborados pela epigenética: que é a ciência do controle dos genes a partir do exterior da célula, ou, mais precisamente, o estudo das alterações na função dos genes sem uma alteração na sequência do DNA, e, é uma das área de pesquisa mais ativas atualmente.
Em vez de ficar obcecado com algum evento estressante ou traumático que você teme que ocorra em seu futuro, baseado em sua experiência do passado, fique obcecado por uma experiência nova e desejada que você ainda não acolheu emocionalmente. Permita-se viver nesse potencial novo futuro agora, a ponto de seu corpo começar a aceitar ou acreditar que você está experimentando as emoções elevadas desse novo resultado futuro no momento presente.
O que alguns chamam de milagres o autor descreve nesse livro como exemplos de indivíduos dedicados a mudar seus estados de consciência, de modo que seus corpos e mentes não são mais um mero registro de seus passados, mas sim parceiros atuantes dando passos rumo a um novo e melhor futuro.
A essa altura você entende que o principal obstáculo para quebrar o hábito de ser você mesmo é pensar e sentir igual ao seu ambiente, ao seu corpo e ao tempo. Obviamente então, aprender a pensar e sentir (ser) maior do que estes três fatores é o seu primeiro objetivo enquanto se prepara para o processo de meditação que o livro ensina.
Diferentemente dos animais, temos a capacidade de acionar a resposta de lutar ou fugir apenas com o pensamento. E esse pensamento não precisa ter nada a ver com qualquer aspecto de nossas circunstâncias atuais. Podemos acionar essa resposta em antecipação de algum evento futuro. Ainda mais desvantajoso, podemos produzir a mesma resposta de estresse revisitando uma memória infeliz costurada no tecido de nossa massa cinzenta.
Viver na sobrevivência é o motivo pelo qual nós humanos somos tão dominados pelos três fatores (ambiente, corpo e tempo). A resposta ao estresse e os hormônios que ela desencadeia obrigam-nos a focar (e ficamos obcecados) com os três. Como resultado, começamos a definir nosso "eu" dentro dos limites do reino físico; tornando-os, assim, menos espiritualizados, menos conscientes e menos atentos.
Quando você se move além do tempo e do espaço e passa a ser pura consciência imaterial, como não está mais conectado com o corpo, não está mais focado em pessoas, locais ou objetos em seu ambiente externo; e, além do tempo linear, está acessando a porta do campo quântico. Você não consegue entrar como alguém, deve fazer isso como um ninguém. Você tem que deixar o ego egoísta na porta e entrar no reino da consciência como consciência pura.
Ou seja - você não pode criar uma nova realidade pessoal com a mesma personalidade. Você tem de se tornar uma outra pessoa.
A dádiva da neuroplasticidade (a capacidade do cérebro de se reconectar e criar novos circuitos em qualquer idade como resultado do input do ambiente e de nossas intenções conscientes) é que podemos gerar um novo nível mental.
O cérebro límbico ajuda na formação de memórias de longo prazo: você consegue lembrar melhor de qualquer experiência porque consegue recordar como se sentiu emocionalmente enquanto o evento estava ocorrendo. O neocórtex e o cérebro límbico juntos nos permitem formar memórias declarativas, significando que podemos declarar o que aprendemos ou experimentamos. Podemos ver então como somos marcados emocionalmente por experiências extremamente carregadas.
Para quebrar totalmente o hábito de ser você mesmo, diga adeus ao conceito de causa e efeito e adote o modelo quântico de realidade. Escolha uma realidade potencial que queira viva-a em pensamentos e sentimentos e agradeça antes do evento concreto. Você consegue aceitar a ideia de que, quando altera seu estado interno, não precisa que o mundo externo dê uma razão para sentir alegria, gratidão, apreciação ou qualquer outra emoção elevada?
Como um lembrete, quando você está em um novo estado de ser - uma nova personalidade - você também criou uma nova realidade pessoal. Deixe-me repetir isso: um novo estado de ser, cria uma nova personalidade... uma nova personalidade produz uma nova realidade pessoal.
Conceitos importantes para auxiliar a quebrar o hábito de sermos "nós mesmos":
A lacuna da identidade:
Em sua autorreflexão, ocorreu a Joe Dispenza que os seres humanos vivem em uma dualidade, como duas identidades separadas - "como parecemos" e "quem realmente somos".
Como parecemos é a imagem de fachada que projetamos para o mundo. Esse eu é tudo que fazemos a fim de parecer de uma certa forma e apresentar às demais pessoas uma realidade exterior consistente. Esse primeiro aspecto do eu é um verniz de como queremos que o mundo nos veja.
Como realmente somos, é como nos sentimos, especialmente quando não somos distraídos pelo ambiente externo. São nossas emoções familiares quando não estamos preocupados com a vida. É o que escondemos sobre nós.
Compreender isso é necessário, pois manter o estado modificado do corpo e da mente, independentemente do ambiente externo e das emoções que escondemos lá no fundo do subconsciente (a meditação que Joe ensina no livro ajuda a limpar isso) fará surgir algo maior em seu mundo - essa é a lei quântica.
As ondas cerebrais dos humanos:
Sono profundo (ondas Delta), estado crepuscular entre o sono profundo e o despertar (ondas Teta), o estado criativo e imaginativo (Alfa), as frequências mais altas durante o pensamento consciente (ondas Beta), até as mais altas frequências registradas (ondas Gama) vistas em estados elevados de consciência.
Em alfa, o cérebro está em um estado meditativo leve, já em Teta somos mais programáveis porque não há nenhum véu entre as mentes consciente e subconsciente - quando migramos para estados de ondas cerebrais mais lentas, vamos mais fundo no mundo interior do inconsciente.
Em beta alto, fica ativado o mecanismo de sobrevivência de curto prazo, fonte de estresse e de desequilíbrio a longo prazo.
Quando se está preso em beta alto, a aprendizagem é difícil: pouquíssimas informações novas que não sejam iguais à emoção que você está experimentando conseguem entrar em seu sistema nervoso. Seu cérebro não está em modo criativo, está fixado na sobrevivência, preocupado com os possíveis piores cenários. Mais uma vez não será decodificada muita informação no sistema que não seja igual ao daquele estado de emergência - quando tudo parece uma crise, seu cérebro transforma sobrevivência em prioridade, sem aprender ou criar. Não é hora de crescimento - é hora de sobrevivência e emergência.
Iniciando o processo meditativo: abrindo as portas para o estado de criação.
Tudo que se precisa para ser hipnotizado ou hipnotizar é baixar de beta médio até um estado alfa ou teta, mais relaxados. Assim a meditação ou auto-hipnose são semelhantes.
Preparação para indução: reduzir inputs sensoriais e ambientais.
A função da indução é desligar a mente analítica - para tanto, estimula que você sinta ou coloque atenção em aspectos diferentes do seu corpo, pensando menos, oscilando menos entre passado e futuro - ou seja, mindfulness.
Essa prática traz a percepção que pode ajudar a transpor o que de outra forma seria o destino predeterminado de seu cérebro e corpo - os programas conectados, automáticos e escravizantes da mente e das emoções memorizadas que condicionaram corpo quimicamente.
Ao final é necessário sentir a alegria ou viver em estado de alegria pois você já aceitou como realidade o resultado futuro que quer. Quando vive como se suas preces já tivessem sido atendidas a mente maior pode fazer o que faz de melhor, organizando sua vida de novas maneiras incomuns. A felicidade vem de compreender que, quando desmemoriza a emoção negativa de sua personalidade, você elimina o comportamento destrutivo inconsciente.
Uma vez que você seja um novo ser em sua meditação, esse novo ser é uma nova personalidade e uma nova personalidade cria uma nova realidade pessoal. É aqui que você, a partir de uma energia elevada, cria eventos específicos em sua vida como observador quântico do destino.
Por fim, precisamos compreender que nosso propósito na vida não é ser bom, agradar a Deus, ser bonito, popular ou bem-sucedido. Nosso propósito é remover as máscaras e fachadas que bloqueiam o fluxo da inteligência divina e expressar essa mente superior através de nós!
